domingo, 18 de abril de 2010

Submarinos e contrapartidas

Para mim, e penso que para a maioria dos portugueses, o negócio dos submarinos e das contrapartidas parece não ser nem vir a ficar claro nem esclarecido.
E porquê? Em primeiro lugar, porque tenho dificuldade em compreender a justificação de associar duas necessidades: a compra de submarinos e outros serviços e/ou produtos. Porque não apenas a compra dos submarinos, uma vez que se trata de uma aquisição com custos elevados e ser essa a necessidade que, em primeira medida, fará falta ao país e às suas forças armadas? Ou será que na inclusão das contrapartidas está a explicação para as chamadas "luvas" de que tanto se fala neste negócio?
Será que as empresas e os empresários portugueses, particularmente nesta fase em que a contenção de custos é fundamental, também funcionam (ou podem funcionar) assim? Claro que não. Qualquer empresário que necessite de um bem para desenvolver a sua actividade, em vez de comprar o que necessita, comprar também outra coisa qualquer (outro bem), não faltarão prejuízos e falências, más gestões, enfim irresponsabilidades de gestão.
E é desse mal que me parece que enferma este e outros negócios do Estado, que são mal geridos, porque quem os faz, por muitos prejuízos que cause, nunca são prejuízos para si nem para a sua empresa, porque são sempre pagos pelos impostos dos portugueses. E com uma agravante: no meio de tudo isto - diz-se - há as comissões.
Para finalizar vou falar de um caso concreto que não veio a público, talvez por ter ocorrido nos anos 70, antes do 25 de Abril: numa encomenda de sobressalentes para navios da nossa Armada, apareceram fatos de ballet. Parece anedota, mas aconteceu: fatos de ballet numa encomenda de sobressalentes para navios da nossa armada. Como soube disto? Estava lá, a cumprir o serviço militar, e vi.
Se houve "luvas"? Provavelmente sim, mas nessa altura nada se sabia, eram relações muito fechadas e a imprensa não podia divulgar nada - eram os tempos do lápis azul.

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